Sobre a dor #2

Se está a doer,

então pegue a dor

sente ela e a abraça.

Pergunte pro seu orixá
que sem dor não é bom amar.

Mas se é pra enlaçar o sofrer

só não vale adoecer

e morrer

nem de dor

nem de amor.

pain

 

Créditos da imagem: jclk8888  URL: http://mrg.bz/2a1356

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Mensagem de Natal escrita pelo Sensei N. S.

Ao ler alguns livros parei antes de acabar, o que sempre me causou um sentimento de pouca persistência ou incompetência. No primeiro caso pois sempre achava que o livro poderia melhorar de uma hora pra outra, na outra situação me achava muito ruim para aquela obra e sabia que o problema estava comigo.
Sempre quis ler Grande Sertão Veredas, livro de cabeceira de meu sogro, mas nunca consegui. Cito esta parte da obra para inspirar nosso ano de 2019.

“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem”

Nossas vidas têm ciclos. Precisamos procurar sempre o melhor “caminho” e ter em mente que o objetivo final pode não ser alcançado mas a busca é nossa responsabilidade.

Bom Natal meus amigos da nobre arte. OSS!

karate

Crédito da imagem : GaborfromHungary

Fonte :
http://mrg.bz/077288

Brincando de matar o Buda

Bunda - Hector Ivo

O Buda-Gautama, após anos de peregrinação, ensino e contemplação, encontrou sua morte aos 80 anos, na cidade de Kushinagar, Índia. Sidarta, por filosofia pessoal, aceitava toda e qualquer comida que lhe fossem oferecidas. Dias antes de sua morte, o Desperto havia aceitado uma refeição ofertada por um ferreiro; escolas budistas divergem quanto ao conteúdo da refeição: enquanto umas falam de carne de porco, outras falam de cogumelos e trufas. O que se sabe é que a infecção intestinal resultante dessa ceia foi o que trouxe o falecimento ao Iluminado. O simbolismo, a importância e o drama dessa passagem final só podem ser devidamente expressos quando comparados ao apagar de outras grandes figuras históricas. Vejamos

Jesus morreu na cruz, o Buda morreu de caganeira. Madre Tereza morreu de insuficiência cardíaca, o Buda morreu mandando um faz pro dae. Chico Xavier morreu de parada cardiorrespiratória, o Buda morreu obrando. Princesa Izabel morreu de Influenza, o Buda morreu apontando a luneta pro bueiro. Maomé morreu de febre, o Buda morreu de piriri gangorra. Simone de Beauvoir morreu de pneumonia, o Buda morreu tirando a tartaruga do saco. Gandhi morreu baleado por três tiros, o Buda morreu soltando um barro.  Cleópatra morreu picada por uma serpente, o Buda morreu piscando pro bocão. Zumbi dos Palmares morreu decapitado, o Buda morreu modelando cerâmica. Sócrates morreu bebendo cicuta, o Buda morreu arriando o calhau. Rose Marie morreu de mieloma múltiplo, o Buda morreu fazendo toloco. Tiradentes morreu enforcado, o Buda morreu cortando o rabo do macaco. Joana D’Arc morreu queimada na fogueira, o Buda morreu tirando o charuto do beiço.

Grande, Excelentíssima e Derradeira defecada! Reverenciemos todos em prostração essa borrada que é santa!    🙏🏼🙏🏼🙏🏼

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Créditos da Imagem: Hector Ivo

Contato: @mechabranca_hq — @vivohector

 

O Jogo

Há alguns anos, uma moça me ensinou o jogo de esquecer. Nele existe apenas uma regra: você vive sua vida como quiser, mas caso se recorde em algum momento da existência do jogo, você perde. Esse é um passatempo perigoso, porque uma vez que a pessoa entra nele, não tem como sair da brincadeira. Caso ela se recorde do jogo, ela perde e começa outra vez.

Outro aspecto complicado é que não tem como saber ao certo se a partida foi vencida. É que muitas vezes a gente tem a impressão de que algo nunca mais vai voltar, até que volta. Isso pode ser bom e pode ser ruim. É engraçado porque agora existem combinações, e algumas delas são bem estranhas. Existem coisas boas que gostaríamos que voltassem; existem coisas ruins que acharíamos melhor se ficassem longe; também existem coisas positivas que torcemos para que não retornem, e ainda existem coisas negativas que ansiamos pelo regresso.

Até agora escrevi sobre aquilo que volta, mas também podemos falar sobre o comportamento de se esquecer. Essa brincadeira de desaprender não tem natureza boa ou ruim. Às vezes é tão construtivo a gente deixar de carregar algo consigo; em outros momentos precisamos nos agarrar a alguma coisa pra sobreviver. Quem tenta trazer tudo consigo tem uma dor de cabeça danada. Ao mesmo tempo, não se lembrar de nada é doença e tem nome.

Talvez seja interessante aceitar aquilo que volta, independente de ser algo agradável ou não, e tentar aprender com o seu retorno. Se for embora outra vez, também faz parte. Acho que é por isso que o jogo que a vespa me mostrou é tão difícil. Na brincadeira dela, a gente perde caso se lembre. Perde por que?

trilho

Créditos da imagem: quicksandala – Endereço: http://mrg.bz/e7cac3

Cabeça de Macaco

Na minha cabeça mora um macaco, que fica lá, pulando de galho em galho, e não pára quieto. Ele fica bem no alto, dependurado, dando uns berros, jogando bosta em mim. Quando me sento em silêncio, fico bem imóvel, e deixo o mico solto. Fico aqui, sentado, e ele fica lá, fazendo as macaquices dele. Talvez uma hora ele se canse e vá dormir. Mas o ideal, o mais adequado mesmo, é que, em algum momento, ele enjoe de não parar quieto, e se sente comigo.

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Crédito da Imagem: BryanHanson Endereço: http://mrg.bz/ZNHQQg

O que sei sobre as geladeiras

Pra mim, o trabalho das geladeiras é serem frias. Elas atuam em turnos: durante o exercício, se esfriam. Já na hora do descanso, dormem e se esquentam. É preciso haver algum isolamento, pra dificultar a passagem de calor do meio para seu interior. As geladeiras geralmente são claras por fora e escuras por dentro. No entanto, quando abrimos a porta, elas se iluminam. Para se ocuparem, as geladeiras consomem energia. Elas se esforçam em retirar o aquecimento de dentro de si e jogar pro mundo. E pra gente isso é bom, porque com isso conservam aquilo que nos alimenta.

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Crédito da imagem: MGDboston   Endereço: http://mrg.bz/1af1de

Um blog sobre palavras que aparecem de vez em quando e que vou colocando uma depois da outra. Tem umas figuras também.